Depois de 40 anos devotado ao vício da bebida e das drogas químicas Fulano me procurou. Não éramos amigos, apenas conhecido, almoçamos no mesmo lugar e bebíamos no mesmo boteco. Eu, nesta época, trabalhava em uma loja de móveis usados e ele acertou quando me procurou, pois, realmente, poderia resolver seu problema de dinheiro comprando alguns móveis que ele queria se desfazer.
Fulano precisava mudar de vida e para isso era fundamental que ele mudasse de local. Ele sonhava em sumir sem deixar vestígios.Abandonar seu Estado, sua Cidade, seu Bairro e sua Família. Mas, como eu dizia, ninguém abandona uma vida inteira e começa outra mantendo os mesmos móveis.Né não ?
Fulano era um cara de boa índole. Sempre cordial e muito educado, falava Inglês e estudou Espanhol, trabalhou em grandes empresas. Morou fora do País e seria outra pessoa se as drogas não consumissem tudo... Tudo mesmo... Sua saúde e seu dinheiro.
A situação era dramática. Todo seu relacionamento era em função das drogas e,por isso, precisava desesperadamente quebrar essa corrente.Vivia se internando em clínicas, sem sucesso, pois retornava ao vício rapidamente.
Sua mãe de 100 anos vivia na cama dependente de tudo e de todos.Ela era a sua única família. A velha moribunda deitada em uma cama não era uma cena agradável.
O tempo foi passando e finalmente marcamos um dia para ver e avaliar os móveis.Bem, nada que ele possuía era de utilidade.Já algum tempo Fulano vinha vendendo tudo que possuía para consumir drogas e para manter as suas necessidades.Vendeu seus móveis de qualidade, vendeu seus quadros, vendeu até sua TV.A situação era de completa penúria e não existia nada que eu podia fazer para ajudá-lo.
Alguns amigos me avisaram que era mais um golpe que ele armava para conseguir dinheiro e sustentar o vício.
Pode até ser, pensei.
Não comprei nada e fiquei triste.Gostaria de acreditar que, realmente, ele tinha boa vontade.
Gostaria de acreditar que a vontade é mais forte que o corpo, mas sei que nem sempre é assim.
Terminei o encontro desiludido e emprestando uns trocados para que ele fosse passar uns dias em Santos.Estávamos no início do verão e a temporada prometia ser boa.Quem sabe não encontre um trabalho como garçom ?
Quem sabe ?
Santos é linda no verão.
domingo, 12 de outubro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Noite com o Reinaldo Azevedo

Estive na noite de autógrafos do livro " País dos Petralhas " na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos.
Foi uma noite agradável e o Reinaldo recebeu muitas visitas importantes.Destaco a visita do Prefeito Kassab, do Governador Serra e da equipe do CQC, programa da Bandeirantes que é transmitido na segunda feira às 22:00 horas.
O evento foi um sucesso.A fila era enorme.
Acompanho o Blog do Reinaldão e leio suas colunas desde a época da revista Bravo.Leio o Reinaldão antes do Lulla Presidente e digo isso para calar a boca dos petralhas que dizem que o Reinaldo depende do Lulla para fazer sucesso.Besteira.
Desejo sorte ao livro e ao autor.
Link para o Blog do Reinaldo que reproduziu a foto deste blog : Click aqui
P. S. A foto do Artur filho da Graça está uma beleza.A sensibilidade da Mara Kerhart, minha esposa, que tirou a foto merece elogio.
Os últimos 15 vencedores do Prêmio Nobel de Literatura
A seguir a lista dos 15 últimos vencedores da premiação.
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Grã-Bretanha)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Grã-Bretanha)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Maxwell Coetzee (África do Sul)
2002: Imre Kertész (Hungria)
2001: VS Naipaul (Grã-Bretanha)
2000: Gao Xingjian (França)
1999: Gunter Grass (Alemanha)
1998: José Saramago (Portugal)
1997: Dario Fo (Itália)
1996: Wislawa Szymborska (Polônia)
1995: Seamus Heaney (Irlanda)
1994: Kenzaburo Oé (Japão)
1993: Toni Morrison (Estados Unidos)
sábado, 4 de outubro de 2008
Só Desta Vez.

Só desta vez era um bêbado comum. Posso afirmar sem medo de errar que não há nada de interessante em sua personalidade. Era mais um dos milhares de bêbados que circulam nos botecos da periferia de São Paulo.Sabe, aqueles botecos que só vendem cachaças baratas, cigarros baratos e nenhuma comida.Nada de lingüiça, nada de torresmo. Nada de amendoim.
Assim como todos os bêbados que eu conheço o Só desta vez sempre estava na última dose. E de última, penúltima , ia ficando. Quando algum amigo perguntava se aceitava mais um copo ele resmungava : - Só desta vez.E de tanto dizer Só desta vez, passou a ser conhecido por este bordão.
Só desta vez era muito novo para ser aposentado por tempo de trabalho, mas havia bebido o suficiente para ser aposentado por invalidez. Era alto e magro, o que lhe dava uma apresentação diferenciada, estava sempre limpo e barba feita, definitivamente, não era destes bêbados que ficam largados por aí.
E isso tinha uma razão.
O Só desta vez tinha companhia e era companhia de mulher. Mulher essa que acompanhava-o por todo lugar.
Enquanto ele entra em um boteco, ela fica do lado de fora. Acomoda-se em um canto, senta em uma cadeira que ela mesma carrega e fica aguardando-o romper a monotonia e partir para outro lugar, concluindo a via sacra de todo dia.
Já que não poderia proibir o marido de beber sem brigas e rompimento, já que era impossível viver sem ele, a mulher sujeitou-se a viver sua vida sendo a sombra e o anjo da guarda do marido. Anos e mais anos nesta vida, dizia, sem queixas, sem chateação, pois proteger o homem, seu amor, como se este fosse uma frágil criança que em um descuido qualquer poderia se machucar era a sua mais nobre função.
Só desta vez bebia, bebia, sem preocupação. Sabendo que lá fora havia quem o levaria para casa sem perder o caminho, sem ameaças, e sem cometer exageros.
Só desta vez não era um bêbado comum como eu disse no começo desta história. Era, sim, um bêbado especial, pois havia alguém que se importava com ele mais que consigo mesmo.
E longe de mim julgar alguém...longe de mim.
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