quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Bouvard e Pécuchet


“...em cada episódio, ainda que tão pouco realista em seu encadeamento, revive-se dentro de si um desejo que é o de cada um de nós : compreender e dominar o mundo pelo saber.”

Stéphanie Dord-Crouslé – Critica especialista em Flaubert


Acabei de ler “Bouvard e Pécuchet “de Gustave Flaubert.Parece neurótico, mas ao término fiquei com a mesma sensação de quando terminei o livro “O homem sem Qualidades “do Robert Musil.

Vi nas duas obras algumas semelhanças.

Primeira semelhança, obra de grande fôlego intelectual.

Segunda, as duas foram editadas postumamente.

Terceira, tanto Musil como Flaubert dedicaram uma vida ao livro.

E o mais importante é que são obras que poderiam ser escritas hoje.São obras inacabadas e que se completam a toda hora.

Tanto um livro como o outro tem como pano de fundo a ciência moderna, o homem moderno e toda a sua diversidade. Nos levando a conclusão que toda a infinidade de opção, seja, na ciência, filosofia, e cultura ocidental deixam o homem sem parâmetro para uma decisão sensata. ( Olha que interessante, isso pode nos levar a outro livro “O homem Massa “de Ortega.Mas isso é outra história.)

Depois de 40 anos e mais de 1500 livros consumidos Flaubert cria dois personagens que tem como profissão a atividade de copista. Desconsolados com a vida que levam resolvem juntar toda a suas economias e se mudam para uma fazenda na Normandia.Chegando lá transformam sua casa em uma imensa Biblioteca com vários livros e muitos manuais.

É o que sempre sonhavam. Através dos livros e do conhecimento construir uma vida de saber.

Ledo engano. E muita desilusão.

O tempo vai passando e eles alternam seus interesses.

Os manuais de jardinagem se contradizem, então passamos para a agricultura, o mesmo acontece com a agricultura, passamos para química, depois medicina, depois astronomia, sempre a procura de uma resposta que nunca encontram. Resposta para se viver uma vida linear e definitiva.

Logo passam à arqueologia, história, literatura, política, higiene, magnetismo, religião e nada de encontrar.

Por último a definitiva frustração.Apesar de toda dedicação e de todo conhecimento não conseguiram êxito na tentativa de educar 2 crianças.Crianças cujo pai estava preso e a mãe morta.As crianças arredias não se dobraram ao convívio familiar.

Flaubert faz uma crítica ao homem moderno, ironiza a ciência, o conhecimento enciclopédico e revoluciona seu romance na medida em que é um romance que foge aos padrões tradicionais. Um romance filosófico como já foi dito na orelha do livro.

Os personagens são descritos como dois idiotas, tatuzinhos, escreventes, mas na realidade eles procuram a verdade através dos livros custe o que custar e não encontram, pois os manuais da ciência, da religião e tudo o mais são insuficiente.

O retorno à profissão de copista é a única solução para os dois.

Existem momentos hilários e de profundo constrangimento no livro.

Olhando o mundo de hoje e as dúvidas entre políticos, economistas, psicólogos acredito que o livro ainda não foi compreendido e ruminado totalmente.

Vamos ler Flaubert.

domingo, 16 de novembro de 2008

Frase

" Os príncipes me dão muito se não me tiram nada, e me fazem bastante bem quando não me fazem nenhum mal."

Montaigne

100 Melhores Romances do Século - Segundo a Folha de São Paulo -

No final do século passado a folha de São Paulo fez essa pesquisa com intelectuais brasileiros.Deu nisso.Eu não conhecia essa lista e por isso coloco aqui.

Eu sei que tem gente que não gosta de lista.E eu acho que elas são questionáveis.Mas que é interessante verificar e contar quantos livros cada um já leu, é.

Vamos lá.

1º - Ulisses - James Joyce.
2º - Em Busca do Tempo Perdido - Marcel Proust -
3º - O Processo - Franz Kafka
4º - Doutor Fausto - Thomas Mann
5º - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
6º - O Castelo - Franz Kafka
7º - A Montanha Mágica - Thomas Mann
8º - O Som e a Fúria - William Faulkner
9º - O Homem sem Qualidades - Robert Musil
10º - Finnegans Wake - James Joyce
11º - A Morte de Virgílio - Hermann Broch
12º - Coração das Trevas - Joseph Conrad
13º - O Estrangeiro - Albert Camus
14º - O Inominável - Samuel Beckett
15º - Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez
16º - Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
17º Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
18º - Ao Farol - Virgnia Woolf
19º - Os Embaixadores - James
20º - A Consciência do Zeno - Svevo
21º - Lolita - Nabokov
22º - Paraíso - José Lezama Lima
23º - O Leopardo - Tomasi di Lampedusa
24º - 1984 - Orwell
25º - A Náusea - Sartre
26º - O Quarteto de Alexandria - Lawrence Durrell
27º - Os Moedeiros Falsos - André Gide
28º - Malone Morre - Beckett
29º - O Deserto dos Tártaros -Dino Buzzati
30º - Lord Jim - Conrad
31º - Orlando - Virginia Woolf
32º - Peste - Camus
33º - Grande Gatsby - Fitzgerald
34º - O Tambor - Grass
35º - Pedro Páramo - Juan Rulfo
36º - Viagem ao Fim da Noite - Celine
37º - Berlin Alexanderplatz - Alfred Döblin
38º - Doutor Jivago - Boris Pasternak
39º - Molloy - Beckett
40º - A Condição Humana - André Malraux
41º- O Jogo da Amarelinha - Cortázar
42º Retrato do Artista quando Jovem - James Joyce
43º - A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
44º Aquela Confusão LOuca da Via Merulana - Carlo Emilio Gadda
45º - Vinhas da Ira - Steinbeck
46º - Auto da Fé - Elias Canetti
47º - À Sombra do Vulcão - Malcolm Lowry
48º - O Visconde Partido ao Meio - Ítalo Calvino
49º - Macunaíma - Andrade
50º - O Bosque das Ilusões Perdidas - Alain Fournier
51º - Morte a Crédito - Céline
52º - Amante de Lady Chatterley - Lawrence
53º - O Século das Luzes - Carpentier
54º - Uma Tragédia Americana - Theodore Reiser
55º - América - Kafka
56º - Fontamara - Ignazio Silone
57º - Luz em Agosto - William Faulkner
58º - Nostromo - Conrad
59º - A Vida Modo de Usar - Georges Perec
60º - José e seus Irmãos - Thomas Mann
61º - Os Thibault - Roger Martin du Gard
62º - Cidades Invisíveis - Ítalo Calvino (Muito bom!!!)
63º - Paralelo 42 - dos Passos
64º - Memórias de Adriano - Yourcenar
65º - Passagem para a Índia - Forster
66º - Trópico de Câncer - Henry Miller
67º - Enquanto Agonizo - William Falkner
68º - As Asas da Pomba - henry James
69º - O Jovem Törless - Robert Musil
70º - A Modificação - Michel Butor
71º - A Colméia - Camilo José Cela
72º Estrada de Flandres - Claude Simon
73º - A Sangue Frio - Truman Capote
74º - Laranja Mecânica - Anthony Burge
75º - O Apanhador no Campo de Centeio - Salinger
76º - Cavalaria Vermelha - Babel
77º - Jean Christophe - Romain Rolland
78º - Complexo de Portnoy - Philip Roth
79º - Nós - Evgueni Ivanovitch Zamiatin
80º - O Ciúme - Allain Robbe-Grellet
81º - O Imoralista - Gide
82º - O Mestre e a Margarida - Mikhail Afanasevitch
83º - O Senhor Presidente - Miguel Ángel Asturias
84º - O Lobo da Estepe - Herman Hesse
85º - Os Cadernos de Malte Laurids Bridge - Rilke
86º - Satã em Gorai - Singer
87º - Zazie no Metrô - Raymond Queneau
88º - Revolução dos Bichos - Orwell
89º - O Anão - Pär Lagerkvist
90º - The Golden Bowl - James
91º - Santuário - William Falkner
92º - Morte de Artemiro Cruz - Carlos Fuentes
93º - Dom Segundo Sombra - Ricardo Guiraldes
94º - Invenção de Morel - Adolfo Bioy Casares
95º - Absalão, Absalão - William Falkner
96º - Fogo Pálido - Nabokov
97º - Herzog - SAul Bellow
98º - Memorial do Convento - José Saramago
99º - Judeus sem Dinheiro - Michael Gold
100º - Os Cus de Judas - Antônio Lobo Antunes