sábado, 9 de maio de 2009

INSIGHT

Outro dia eu ouvi uma celebridade dizer que dormia 3 horas por noite e sentia-se disposto durante o dia.Eu morri de inveja.

Foi neste dia e ali em frente ao caixa do Carrefour Limão que me dei conta da minha insignificância... sabe.... aquele insight inteligente que todos nós temos uma vez na vida...o meu foi ali, parado, sem forças para segurar 1 kilo de batatas, uma dúzia de limão e uma baguete.Dormia em pé.As minhas noites tão tumultuadas entre insônia e pesadelos estavam me transformando em um Zumbi, incapaz de reagir ao destino que a vida me impunha.


Na noite passada às 3 horas da madrugada o meu sono sumiu, escafedeu, acordei com o estômago vazio e sentia tanto frio que tinha câimbras nas pernas .Coisa de louco, mas nada de estranho... foi uma noite igual as outras onde a consciência te assombra trazendo o maldito passado para deitar ao seu lado...fazendo você cagar de medo.

Depois que meu amigo Luiz teve um AVC, um maldito AVC, que lhe deixou na cama torto, e quase morto, um morto sem velório e sem caixão.Depois disso eu não faço outra coisa a não ser pensar nesta maldita doença.Acordo a noite, nesta pocilga, lamentando todos os cigarros que fumei, todas as bebidas que bebi, e todas as mulheres que trepei , condeno todos que conheciam essa doença, mas que nada me disseram deixando eu me arriscar na ignorância.Ou era melhor não saber de nada e ficar aleijado em paz ? E se agora eu tiver um AVC o que vai acontecer.Quem vai me rezar um terço, me dar banho e me acariciar quando estiver na cama ?

Depois de rezar muito , contorcido na cama, assustado, olhos arregalados como se estivesse visto o Satanás, entro no sono para minutos depois acordar novamente.Levanto-me da cama bato três vezes com a cabeça na parede e esmurro o azulejo branco do meu banheiro.

Outro dia uma campainha intermitente tocava de hora em hora, ou será de minuto em minuto ? Levantei e procurei o maldito toque. Parecia toque de um celular, mas eu não tenho celular, mas o fdp do toque vinha de longe, tapei as janelas com trapos , e o barulho parecia mais nítido.Coloquei a cabeça embaixo do travesseiro, mas o toque continuou nítido.Fui no armário e peguei a garrafa de cachaça, quem sabe tomando umas doses eu não relaxo e durmo em paz, mas quando me apareceu a assombração da hipertensão e do AVC, desisti de beber. A verdade é que eu sempre fui covarde.O toque da campainha está aí para tripudiar da minha fraqueza de caráter.

Tem noites que o sonhos são tranquilos, sonhos com paisagem bucólica da Europa, Castelos Escoceses, Penhascos Franceses, Normandos, geleiras do leste europeu. Nestes sonhos eu tenho o completo domínio da arte de voar.Nunca cheguei a aterrissar, mais nunca cheguei a me esborrachar no chão.Desapareço no infinito.

Se eu não ficasse tonto durante o dia, tentaria traduzir os meus sonhos e escreveria um romance sobre essa merda toda.Tenho a impressão que os sonhos e a alucinações trazem a verdade sobre minha vida.

Em uma cena hilária me vejo mandando ecologistas, juízes, políticos à puta que o pariu.E vejo o título do meu livro “ Vão tomar no Cu” na prateleira de uma grande livraria de São Paulo ao lado do livro mais vendido do ano.Budapeste.

Seria muito legal ver meu livro ao lado daquela bosta de Budapeste.Mesmo que seja um sonho. Né..,não ??

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