Acabei de ler o segundo livro de Céline " Morte a Crédito " e fiquei impactado.O livro foi editado pela primeira vez em 1936 e eu acabei de ler,hoje, isto é, 71 anos depois, o livro ainda resiste.
O primeiro livro de Céline foi " Viagem ao fim da Noite " obra prima, aliás, seu maior sucesso.Ambos os livros são de uma clareza estonteante, de um niilismo impressionante.Misturando dados biográficos com persongem fictícios o autor não demonstra nenhuma esperança no ser humano e ridiculariza a nossa sociedade burguesa.Denuncia a guerra, o colonialismo, a pobreza como um esquerdista comum.E detestava, também, a hipocrisia dos revolucionários que faziam promessas aos proletariados.
Céline é de classe média, estudou línguas para trabalhar no comércio e foi para o exército onde sofreu ferimentos de guerra e carregou sequelas por toda vida.Depois do exército e da guerra se formou em medicina.Começou a clinicar na periferia de Paris.
Lançou seu primeiro livro que obteve sucesso absoluto com tradução por toda a Europa.Vendeu em poucas semanas mais de 100 mil exemplares.
Mas tem certas coisas na vida que é muito difícil de entender e a vida de Céline é uma delas.
Depois de todo sacrifício e colhendo todo o sucesso merecido Céline solta alguns panfletos anti-semitas e de apoio aos nazistas.Sua vida se transforma totalmente.Da mesma forma que subiu aos céus, desceu ao inferno.
Com o término da guerra Ferdinand é considerado traidor e sofre perseguição.Fica 1 ano na cadeia e tem metade de a sua fortuna confiscada e a outra metade se perdeu.
Nunca mais seria o mesmo.Principalmente com ascensão do comunismo e de Sartre na França.Seu inimigo declarado.
Céline morreu acreditando que os intelectuais e a burguesia moralista não aceitaram seus livros por sua linguagem popular, cenas de sexo, frases grosseiras e de mau-gosto para a época.
Eu tenho comigo que Celine errou, errou muito, mas o Enza Pound também foi nazista e não sofreu a mesma perseguição durante a sua vida.
A prova mais contudente que a obra de Céline é de gênio é que apesar de ter desaparecido do cenário de ser considerado um anti-cristo sua obra acabou sobrevivendo e hoje é reeditada como foi recentemente pela Companhia das Letras.
Acredito que o médico que atendia os pobres sem cobrar na periferia de Paris e que cometeu este crime de racismo intolerável , mas que foi condenado em vida, deveria ser perdoado pelo menos depois de morto.
Digo isso pela obra em si que é muito contudente, não estou levando em consideração a revolução linguística proporcionada pela obra, pois, tal revolução já foi assimilada pela nossa literatura e quando lemos o livro nem percebemos que foi ele quem criou o estilo oral, e coloquial que hoje vemos por ai.
Céline inspirou toda a geração Beat de Jack Kerouac e cia bela só para citar um exemplo.
domingo, 5 de julho de 2009
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