sábado, 24 de maio de 2008

A balconista.



Dois casamentos desfeito. A contragosto é verdade. Dois filhos para criar. Freguentou pouco a escola e por isso dava graças a Deus pelo emprego de balconista que possuía.Na verdade o termo balconista seria um exagero, talvez, o correto seria dizer empacotadora, mas esse termo ela evitava.Vaidade todo mundo tem.No seu primeiro casamento o marido desapareceu depois de um ano de casada e deixou um filho de meses.Ela nunca mais teve notícias.

No segundo casamento o marido era um alcoólatra que quando bebia terminava a noite sempre nas drogas.Este nunca conseguiu um emprego fixo e só culpava o governo pela sua infelicidade.Nunca trouxe um dinheiro para casa.

Este traste tinha o hábito de pedir dinheiro emprestado para os amigos desavisados.Dívida que nunca pagava.O povo se apiedava quando ele inventava doença na família, nas crianças e outras coisas, mas com o dinheiro em mãos o caminho era a boêmia -se é que se pode chamar de boemia um desqualificado que bebe tudo o que tem, cheira crack e amanhece deitado na sarjeta – no centro da cidade.

Nesta região era impossível andar pelas ruas sem encontrar todo tipo de pedintes.Homens velhos, homem moços, mulheres grávidas e, principalmente, crianças a serviço de adultos inescrupulosos.Uma horda de maltrapilhos que defendem seus território e seus trocados na mais perfeita harmonia e divisão hierárquica, todos, sem exceção, entupiam-se de drogas e bebidas.

A balconista apaixonada ou sem outra opção na vida, aceitava a sua miséria sem reclamação, nunca desferiu uma única palavra mais dura ao marido.Com o seu salário sustentava a casa e , ainda, de quebra dava alguns trocados para o marido se esbaldar.

Este desapareceu, só que por 2 anos.Passados 2 anos, exatamente, ficamos sabendo que ele havia sido atropelado na beira da estrada e falecido.Foi lavrado boletim de ocorrência e tudo ficou certinho.

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